... na beira da estrada, tá bichada ou tem marimbondo no pé!!!

domingo, 23 de agosto de 2009

O pé-na-bunda digital



Oi, gente. Resolvi dar uma passadinha pra falar sobre um assunto que tem me inspirado muito ultimamente: o pé-na-bunda nosso de cada dia. Ocorre que o nosso bom e velho pé-na-bunda está cada vez mais moderno. Hoje em dia há “diversas variedades diferentes” (*) de tocos. Quando eu nasci já existia o celular (ai, não aguento essa gente que não admite a velhice chegando), mas houve um tempo em que só existia um telefone fixo sem bina, e você podia ligar milhares de vezes sem ser chamada de maluca. E mesmo quando eu era um bebezinho de colo e o celular era um tijolão pendurado na cintura, não existia nele o maldito identificador de chamadas. Além disso, quem tinha celular não ignorava as chamadas, como ocorre hoje em dia, simplesmente porque o cara queria exibir o tijolão pendurado, e dava orgulho quando aquilo tocava alto e o cara podia atender berrando pra todo mundo ver que ele tinha um celular. Era o máximo.

Hoje em dia as pessoas têm um celular de cada operadora, todos no vibra call e escondidos no bolso, na mochila, na bolsa, etc. Quando toca dá até medo de atender. O telefone fixo virou privilégio da família e amigos de infância. Pros outros a gente diz que não tem e pronto. Até que um dia, num futuro não muito distante, o telefone fixo deixará de existir. E com o advento do identificador de chamadas a gente se vê cada vez mais fazendo coisas bizarras, como por exemplo, pedir o serviço de número restrito à operadora. Mas tem gente que não atende ligações de número restrito, então a gente compra um chip novo, pois se a pessoa não atende ao seu número e nem ao número restrito, o jeito é ligar de um número diferente. Nesses casos também vale pegar emprestado o celular da santa melhor amiga, sempre solidária.

Mas além da evolução do toco via telefone, há outras formas oriundas do século XXI. Hoje em dia até o fuxico está controlado. Também tenho saudades do tempo em que havia um Orkut com doze fotos e todo mundo podia fuxicar sem ser descoberto. Mas aí inventaram a bina do Orkut e todo mundo passou a ter um perfil fake, pra poder fuxicar melhor sem ninguém saber. Até que bloquearam os álbuns, os recados, os vídeos e até os depoimentos. Estou vendo a hora em que até o Buddy Poke vai ser bloqueado. Que ódio.

O fato é que hoje em dia a pessoa pode te ignorar através de várias tecnologias. Você pode levar um pé-na-bunda via telefone fixo, celular (multiplica pelo número de operadoras existentes), Orkut, MSN, e-mail, e Twitter. Antigamente mandava-se recado por algum amigo, hoje manda-se recados digitais. Eu tenho uma amiga que nos anos 1990, levou um pé-na-bunda do noivo através de uma amiga que levou o recado. Só pra não sujar tanto assim a barra do rapaz, ele queria conversar pessoalmente, mas ela não quis mais falar com ele e ficou por isso mesmo. O recado era só um “precisamos conversar” que ela interpretou como término. Hoje é diferente. Um primo meu, por exemplo, levou um pé da namorada via depoimento de Orkut. (O_O) Poi zé, também fiquei bege. Já vi gente terminar por e-mail. Eu mesma já levei um pé via MSN, o cara me excluiu e pronto. Ainda bem que dá pra ver quem deleta a gente do MSN. Isso sem contar as vezes em que fui ignorada pela maldita bina do telefone. Quem nunca foi que atire a primeira pedra. Amo a tecnologia, mas às vezes, vou te contar, irrita!

Termino este texto com aquela célebre frase que eu não sei quem disse, mas serve pra dar um up nas bundas que sofrem com os pés alheios: “Não deixe que nada te desanime, pois até mesmo um pé na bunda te empurra pra frente”.



(*) Pleonasmo do pleonasmo em homenagem ao vendedor de doces do ônibus de outro dia: “Tenho aqui diversas variedades diferentes de doces... blá, blá, blá... alguém interessado?” kkkkkkkkkkkk............... Adorei e tô usando.

domingo, 16 de agosto de 2009

Ensaio sobre a velhice


Dia desses eu estava indo trabalhar em uma segunda-feira de manhã beeem cedo. Aqui pertinho tem um mercado que fica em frente a uma banca de jornal e bem no meio do meu caminho. Aconteceu que nessa segunda-feira, antes das sete da manhã, eu passei e tinha uma fila enoooorme na porta do mercado que ainda nem tinha aberto. Um monte de velhos em plena segunda-feira chuvosa (preciso ressaltar isso), um frio do cacete, fazendo fila na porta do mercado. ¬¬

Outro dia eu li o seguinte trecho no Chistudo, em um post sobre coisas irritantes:

“Gente velha: Velhos só servem para produzir esgoto e saturar filas, além de serem pessoas inconvenientes (atrapalham trânsito, congestionam passagens estreitas com suas sacolas ENORMES, e o resto já citei acima quando falei de filas).”

O cara poupou minha saliva, gente. Desculpa, mas tenho que falar. E que se danem os politicamente corretos que eventualmente se achem no direito de me criticar. Tô nem aí, já disse que quem manda aqui sou eu e pronto. Entrou porque quis, leu porque quis. Agora deixa eu completar o raciocínio. O que essa gente estava fazendo na fila do lado de fora do mercado em uma segunda-feira chuvosa enquanto eu daria um dente da frente para poder dormir até mais tarde? Só que eu preciso trabalhar, né, por isso acordo com o céu escuro, mas quando eu for velha e aposentada vou dormir até pelo menos nove horas da manhã. Não entendo essa gente que acorda de madrugada sem necessidade, depois de passar uma vida inteira reclamando porque precisa acordar cedo e pegar ônibus cheio. Por que eles não aproveitam a velhice pra acordar tarde e passar um dia chuvoso em casa vendo um filminho? Tomando chocolate quente, comendo pipoca...? Eu hein!

Outra coisa: odeio gente velha que veste a camisa da velhice e não evolui com o mundo. Que nem minha vó, por exemplo, que adora causar com a desculpa de que está velha. Outro dia ela se engasgou com um pedaço de carne e ligaram aqui pra casa dizendo que ela tinha tido um derrame. (O_O) Ou essa gente chata que anda pela rua se arrastando bem no meio da calçada e não deixam os outros passarem, se achando os donos da razão só porque são velhos. Ou esses velhos desocupados que passam o dia com a bunda colada no sofá e resolvem sair pra colar a bunda no ônibus ou metrô, e ainda acham que você que acordou cedo, pegou ônibus cheio, trabalhou, estudou e chegou ao fim do dia morto de cansaço ainda tem de levantar e ceder o lugar. Ah, não levando mesmo! Só levando pra mulher grávida e deficiente físico, porque esses também precisam ganhar a vida. Os velhos que me desculpem, mas pra eles eu não levanto, não dou lugar na fila do caixa e nem me sinto na obrigação de nada. Pô, só porque o cara envelheceu tem de se tornar um estorvo? Quando eu ficar velha, quero ser uma velha lúcida, saudável e pretendo me adaptar às mudanças no mundo e na sociedade, porque é isso que deve acontecer, e não o contrário, como pensam algumas pessoas.

Mas voltando à fila do mercado: não estava atrapalhando a passagem nem nada, mas eu achei muito estranho e fiquei pensando no desperdício das horas que poderiam ser usadas para o soninho da manhã, chocolate quente, filme e pipoca. Essa gente não sabe aproveitar a vida, ai, ai... Fiquei foi com uma invejinha branca de todo aquele tempo livre que eu não tenho, pensando nas manhãs em que eu preciso acordar com o céu escuro, no ônibus cheio.....